terça-feira, 19 de outubro de 2021


 O ALCOOLISMO NA TERCEIRA IDADE                  👨🏾‍🏫Geralmente, os idosos tomam diversos medicamentos. O álcool pode alterar o efeito ou causar algum problema por isso?


👉🏾Mais de 100 medicamentos interagem com o álcool, e é fundamental ressaltar que isso não é restrito a uma determinada classe de fármacos. Alguns desses medicamentos são utilizados para o tratamento de problemas cardíacos, enquanto outros para diabetes, ou depressão – são fármacos que diferem entre si, mas que na maioria das vezes interagem com o álcool de alguma forma. O álcool pode interferir nos efeitos de medicamentos ou vice-versa; pode ocorrer redução da eficácia de um remédio ou intensificar seus efeitos.           👉🏾Ademais, também pode causar efeitos secundários como náusea, vômito, cefaléia e vertigem.O uso concomitante de álcool com outros depressores do sistema nervoso central (tranquilizantes, anti-histamínicos, ansiolíticos, analgésicos, antidepressivos) faz com que certos efeitos sejam exacerbados, como sedação, sonolência, perda de coordenação motora e de memória. Isso expõe o indivíduo idoso a maior risco de queda, acidentes, intoxicação e até mesmo morte. Vale lembrar que alguns medicamentos são compostos por diferentes substâncias – às vezes, mais de um deles pode reagir com o álcool. Além disso, mesmo se não forem ingeridos ao mesmo tempo, é possível ocorrer interação, pois alguns remédios demoram para ser absorvidos ou seus efeitos são prolongados.


OS IDOSOS TEM MAIS DIFICULDADE PARA EVITAR BEBIDAS ALCOÓLICAS?


👉🏾Os estudos mostram que os idosos se beneficiam dos tratamentos contra a dependência de álcool do mesmo modo que as pessoas mais jovens. Contudo, a efetividade dos tratamentos tende a ser melhor para aqueles que apresentam menor histórico de uso problemático de álcool. Vale ressaltar que a família é peça-chave tanto na prevenção do uso nocivo do álcool, como em casos em que o problema já está instalado. Inclusive, não são poucas as vezes em que o tratamento se inicia pela família, principalmente porque o usuário de álcool não aceita seu problema, não reconhece que o uso de bebidas alcoólicas lhe traz consequências negativas ou está desmotivado para buscar ajuda. Além disso, a família pode auxiliar na aderência, permanência, na superação de dificuldades decorrentes do processo e no estabelecimento de um novo estilo de vida sem o uso do álcool. Também pode ajudar a equipe multidisciplinar identificando mudanças comportamentais abruptas (por exemplo: isolamento, irritabilidade, labilidade do humor, prejuízo no desempenho do trabalho), que possam ser indicativos de complicações ou possíveis recaídas, as quais muitas vezes podem ser evitadas. Ainda, um acompanhamento por profissionais da saúde, específico e dirigido para os familiares, é essencial para que possam compreender a doença e seus desdobramentos e, posteriormente, receber orientação adequada sobre a melhor forma de ajudar o ente querido e a si mesmo.


GERONTÓLOGO LÚCIO MONTEIRO DE CASTRO

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